Passarinhos do Cerrado

Criado em 2006, a partir da iniciativa do músico e compositor Rodrigo Kaverna, e de encontros e oficinas de música popular com outros jovens músicos, o grupo Passarinhos do Cerrado traz uma proposta musical baseada no estudo da cultura popular brasileira, tendo como referência as manifestações nordestinas e do Centro- Oeste do país.

Fazendo parte do cenário cultural goiano, o grupo envereda pelo universo das raízes brasileiras transpondo os limites geográficos da cultura, compondo poesias, melodias e arranjos que misturam o ritmo nordestino, o coco, com manifestações culturais regionais como as folias de Reis e do Divino, a congada, a sussa e a catira.

O show de músicas autorais, convida o público a pisar forte, ao ritmo do coco de folia, ouvindo canções que se referem desde a antiga Vila Boa, à devastação do Cerrado, passando pelos costumes, tradições e natureza goianas.

O grupo já se apresentou em festivais como o 6º Festival Lula Calixto, realizado pelo grupo Samba de Coco Raízes de Arcoverde, na cidade de Arcoverde/PE em dezembro de 2011; o XIII FICA - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental - 2011, na Cidade de Goiás/GO; o 17º Festival Mundial da Juventude, na cidade de Pretória, na África do Sul, em 2010; o Encontro de Culturas Tradicionais dos Povos da Chapada, na Chapada dos Veadeiros, São Jorge/GO, 2010; o Brasília Festival de Cultura Popular, em Brasília/DF, 2009; o Festival Canto da Primavera, em Pirenópolis/GO, em 2008 e 2013, etc.

O grupo também já foi contemplado pelas Leis Municipal e Estadual de Incentivo à Cultura. Com os recursos da Lei Municipal, realizou o musical “A peleja da menina que caiu em conversa de Passarinho”, que foi apresentado nas escolas públicas da rede municipal de ensino de Goiânia/GO e em festivais de teatro também em Goiânia e no interior do Estado.

Em novembro de 2012, com a música "Peregrinação", o grupo ficou em primeiro lugar no Festival Canta Cerrado, realizado pelo SESI, que premiou composições inéditas de artistas goianos.

Em 2014, financiado pela Lei Estadual de incentivo à cultura (Lei Goyazes), o grupo apresentou em seis escolas públicas de Goiânia o   show   "Coco   de   Folia" e   realizou   oficinas   de   coco.  Foi também com patrocínio da Lei Goyazes que o grupo lançou em 2014 seu primeiro disco “Coco de Folia”, sob a direção musical de Nilton Júnior, do grupo Pandeiro do Mestre, de Recife/PE. O CD conta com as participações goianas do violeiro e folião Domá da Conceição e da Congada 13 de Maio, e ainda dos artistas Renata Rosa, do diretor Nilton Júnior e do Samba de Coco Raízes de Arcoverde.

Em 2015 o grupo aprovou pela lei municipal de incentivo à cultura a gravação do segundo disco gravado em Recife sob a produção de Juliano Holanda. O grupo tem a participação de grupos de coco como Bongar e A Matinada, além de artistas como Lucas dos Prazeres e Siba. O disco também conta com a participação de índios Krahôs, dos violeiros goianos Diego Lobo e Pedro Vaz, além da Congada de Santa Efigênia.

Este novo trabalho, intitulado “Origens”, foi lançado em 2016. Ainda em 2016, o grupo lançou o trabalho em Goiânia e Brasília e gravou seu primeiro DVD, aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

 

Membros

Bruna Junqueira
voz, bombo, mineiro, maracas

Cléber Rezin
voz, cuíca e pandeiro

Milca Francyele
voz e matraca

Nádia Junqueira
voz, bombo, tom e mineiro

Rodrigo Kaverna
composições, voz, bombinho e caixa

Cléber Carvalho (Reizinho)
voz, pandeiro e cuíca

 

OFICINAS E CURSOS

Cinema: Oficinas e cursos garantem capacitação e profissionalização do mercado cinematográfico em Goiás

No período de 24 a 28 de abril de 2017 acontece na Cidade de Goiás a primeira edição do OFcine – Oficina de Formação de Assistentes para Cinema, um projeto que tem como objetivo a formação prática de profissionais para o mundo do trabalho do audiovisual brasileiro. As inscrições para o OFcine estão abertas até 30 de março e podem ser feitas online, pelo formulário eletrônico disponível no endereço http://migre.me/weMGV.

O trabalho de formação será dividido em quatro módulos, sendo que para cada um deles são disponibilizadas 10 vagas. Os participantes precisam escolher entre: 1. Assistência em Produção e Produção Executiva; 2. Assistência em Câmera e Loggagem; 3. Assistência em Maquinária e Elétrica; Assistência em arte, figurino e caracterização.

Segundo Luana Otto, produtora e uma das idealizadoras do projeto, os módulos se interligarão quando os alunos forem para o Set de filmagem. Luana, que também é uma das oficineiras, explica a metodologia: “Haverá uma aula inaugural com todos os 40 alunos selecionados, onde será apresentado o roteiro de uma filmagem. Em seguida cada ministrante de oficina irá trabalhar especificamente com sua área, na intenção de produzir de fato os itens que competem àquela parte de uma produção. Então, durante dois dias, todos os participantes se encontrarão novamente, para a gravação do roteiro proposto.” E complementa: “Nossa intenção é que todos possam manusear e operar conforme demandas reais de um set, construindo com isso um saber prático ligado à área, oferecendo um espaço real de produção cinematográfica.”

A realização do OFcine é da Balaio Produções Culturais e o projeto conta com recursos do Fundo de Arte e Cultura de Goiás, Secretaria de Educação, Cultura e Esporte de Goiás e Estado de Goiás. Também são parceiros: Instituto Federal de Goiás - Câmpus Cidade de Goiás, por meio do Núcleo de Produção Digital; Prefeitura Municipal de Goiás; Acervo Brevintage;  Astronauta Pirata;  Dafuq Filmes;  Stone Entertainment e Revis Rental.

 

Ministrantes

Os oficineiros convidados para o trabalho de formação têm todos vasto currículo no mercado audiovisual, cada uma com conhecimentos específicos de sua área de atuação:

1.   Joelma Paes e Luana Otto (Assistência em Produção e Produção Executiva) são parceiras na Balaio Produções Culturais. Joelma é formada em Artes Visuais, com MBA em Cinema pela Cambury. Desde 2004 está no mundo do audiovisual, exercendo funções como as de Diretora de Produção, Assistente de Produção, Platô e Assistente de Direção. Em 2007, junto com Erasmo Alcântara, fundou a Fractal Filmes e tem atuado como Produtora Executiva em projetos de curtas, mostras/festivais e programas de formação na área audiovisual. Luana é proprietária e diretora geral da Balaio Produções Culturais, fundada em 2010. Como profissional se dedica a projetos culturais desde 2005. Com experiência em trabalhos de música, teatro, cultura popular e produções audiovisuais, busca a partir da interface entre linguagens um padrão de qualidade de execução e gestão capaz de fidelizar clientes e firmar parcerias em prol de projetos que fazem da diversidade cultural e étnica seu principal eixo de atuação. Na função de diretora de produção para obras audiovisuais produziu nos últimos anos uma soma expressiva de projetos, como quatro longas-metragens, duas séries para TV, uma novela para TV Globo, três festivais/mostras de cinema nacionais e internacionais e dezenove curtas-metragens. Nas artes cênicas atua como produtora de dois importantes grupos goianos: Cia de Teatro Nu Escuro e Cia Cênica Nossa Senhora dos Conflitos.. Na música e na cultura popular atua com grupos e eventos relevantes no cenário goiano como Passarihos do Cerrado e Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

2.    Kaco Olímpio (Assistência em Câmera e Loggagem) é graduado e pós-graduando em Cinema e Audiovisual pela UEG. Atua desde 2010 como assistente de câmera, tendo feito seis longas-metragens e mais de 30 curtas, além de videoclipes e filmes publicitários;

3.   Chico Macedo e Elinaldo Revis (Assistência, respectivamente, em Maquinária e Elétrica) trabalham com audiovisual há mais de dez anos, passando por diversos filmes publicitários e produções documentais para TV e cinema, como Mochilão MTV, Discovery H&H e Icatu Xingu; além de clipes musicais de personalidades como Gustavo Lima e Lucas Lucco. No cinema goiano, participaram de incontáveis produções de curtas-metragens realizadas nos últimos anos. Chico, especificamente, conta também com longas-metragens no seu currículo como Dias Vazios, Cartas de Kuluene e Mudernage;

4.   Carol Breviglieri (Assistência em Arte, Figurino e Caracterização) é Designer de Moda pela Universidade Federal de Goiás, Pós-graduada em Cinema pela Faculdade Cambury e em Figurino e Carnaval pela Universidade Veiga de Almeida no RJ. Estudou na Escola Livre de Cinema em BH e na Cinema Makeup School em Los Angeles, onde fez o Curso de Maquiagem de Caracterização e Efeitos Especiais. Idealizadora e proprietária do Acervo Brevintage, que abriga figurinos e acessórios de época ou réplicas e atuais para uso em figurinos de cinema e TV.

Além dos oficineiros, integram a equipe do OFcine os professores e cineastas Carlos Cipriano e Marcela Borela, que ficarão responsáveis pela direção e concepção de cenas para as filmagens.

CAPOEIRA ANGOLA: PATRIMÔNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE

12º ENCONTRO GOIANO DE CAPOEIRA ANGOLA E SAMBA DE RODA E FESTIVAL GOIANO DE CAPOEIRA ANGOLA REÚNE EM GOIÂNIA NOTÁVEIS MESTRES CAPOEIRISTAS.

De 09 a 11 de setembro de 2016 acontece em Goiânia a 12ª Edição do Encontro Goiano de Capoeira Angola e Samba de Roda e Festival Goiano de Capoeira Angola, que reúne importantes personagens da cultura afro-brasileira.

O evento recebe como parceiro o Festival Goiano de Capoeira Angola, o que multiplica seu alcance junto ao público. A programação conta com a presença de Mestres Capoeiristas de Goiás e da Bahia, e com legítimos representantes do Samba de Roda da Bahia. O projeto é realizado pela Associação de Capoeira Angola do Estado de Goiás e Grupo Só Angola, em parceria com a Balaio Produções Culturais. O evento conta com recursos do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás e Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia.

Oficinas, debates, rodas de capoeira, shows e apresentações de Sambas de Roda convidam o público para momentos de diversão e reflexão. Para falar de Capoeira Angola e de Samba de Roda é preciso estar atento aos movimentos e cores do corpo brasileiro, formado ao longo de cinco séculos de miscigenação. Para traduzir estas tradicionais manifestações é preciso ir ao encontro de um passado recente, de pessoas que ofereceram sangue e suor para manter viva a honra de seu povo, a força de sua fé e a riqueza de sua cultura. O jogo, a música, a dança, a luta, os trajes, as representações, foram e continuam sendo uma celebração à vida e às histórias de gerações de povos negros. Os Mestres e os Sambadores, forjados nesse caldeirão, são os responsáveis pela transmissão dessa ancestralidade.

Convidados

Entre os convidados destacam-se: Mestre Boca Rica

(BA), 80 anos, que iniciou sua prática na capoeira na década

de 1950, com o Mestre Pastinha. Ele foi o grande influenciador

na formação de capoeirista angoleiros que hoje conduzem grupos de capoeira angola

no Estado de Goiás; Mestre João do Boi (BA), 68 anos, mestre de Samba Chula, que

aprendeu com os pais e com as rodas a “gritar” e tocar samba e lidera junto com seu

irmão Alumínio o Grupo Samba Chula São Braz (BA). São Braz é uma comunidade

de pescadores e marisqueiros localizada em Santo Amaro, que mantém o samba vivo,

de geração em geração, desde os tempos da escravidão. O trabalho do grupo,

oficializado em 1995, já foi visto no Brasil e no exterior; Angoleiros do Samba (GO),

grupo formado a partir do Ponto de Cultura Buracão da Arte, que resgata a

musicalidade da cultura afro-brasileira, como o samba de roda, samba de viola, samba

de umbigada e a chula; Mestra Jararaca (BA), 42 anos, 1ª Mestra consagrada em

Capoeira Angola no Brasil, que desde os 11 vive a Capoeira Angola, sendo pupila

dos Mestres João Pequeno (discipulo de Mestre Pastinha) e Mestre Curió.

 

28 anos do Grupo Só Angola

Em Goiânia, o 12º Encontro Goiano de Capoeira Angola é um instrumento de

valorização e preservação de tradições negras. Sua história de 12 anos está ligada ao

trabalho da Associação de Capoeira Angola do Estado de Goiás (Grupo Só Angola),

fundada em 1988.

Em 2011, tendo à frente Mestre Vermelho e Mestre Caçador, a Associação se

tornou o Ponto de Cultura Buracão da Arte, uma instituição que garante à população

de regiões periféricas da cidade o acesso às ferramentas de formação cultural e

cidadã. Aulas de capoeira angola, de percussão, de construção de instrumentos, de

dança afro, de teatro, ensaios de samba de roda e uma biblioteca temática, aberta ao

público, fazem parte do portfólio desse "Ponto" de transformação social, instalado na

região Leste da capital.

O trabalho do Só Angola e de seus Mestres tem sido o de valorizar e

preservar a capoeira e o samba herdados de seus antepassados negros, cumprindo o

propósito de repassar às futuras gerações a filosofia e os ensinamentos dessas

manifestações artísticas e culturais.

 

Um Mestre do Cerrado

 Mestre Vermelho, de 51 anos, iniciou seus estudos em

Goiânia no ano de 1983, com o Mestre Zumbi, na academia Cordão

de Ouro. Em 1985 desenvolveu um trabalho de capoeira e educação

física junto ao Centro Comunitário Leide das Neves. Em 1986 se

dedicou a se tornar um dos discípulos dos Mestres Boca Rica, João Grande, João Pequeno e

do Grupo Filhos de Angola de Cosme de Faria, do Centro Cultural Salvador/Bahia. Dois anos

depois, de volta a Goiânia, funda o Grupo Só Angola e passa a buscar o reconhecimento para

as manifestações culturais tradicionalmente afro-brasileiras desenvolvidas em Goiás.

O título de Mestre veio das mãos do próprio Mestre Boca Rica, no ano de 1997.

Mestre Vermelho teve seu trabalho reconhecido por Goiás. O título oferecido pela Assembleia

Legislativa veio no ano de 2013, por sua ação de defesa, promoção e proteção dos direitos

humanos. Do município de Goiânia recebeu a Placa Afirmativa por contribuições e ações

efetivas para o fim das desigualdades sociais e raciais na capital. O Troféu Buritis também foi

oferecido ao Mestre, por sua relevante contribuição à cultura da cidade. Em 2014 Mestre

Vermelho foi um dos convidados especiais do evento de Capoeira Angola realizado em

Bordeaux, na França.

HUMOR E DEBOCHE REÚNE ELENCO DE PESO

PARA MONTAGEM DO TEXTO DE ALCIONE ARAÚJO, SOB A DIREÇÃO DE SANDRO DI LIMA

De 07 a 09 de novembro de 2016 (2ª a 4ª) o ESPAÇO Sonhus (Colégio Lyceu de Goiânia) recebe a estreia de uma comédia que tem feito sucesso desde a década de 80. Doce Deleite apresenta os bastidores do Teatro com humor e leveza. Um espetáculo feito de esquetes que são o mais puro deboche.

Com o apoio institucional da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, um novo e divertido espetáculo entra em cartaz em Goiânia. Doce Deleite, de Alcione Araújo, recebe a chancela da Cia Cênica Nossa Senhora dos Conflitos, e reúne novamente o trio de atores Fabíola Villela, Mauri de Castro e Sanântana Vicencio, sob a batuta do diretor Sandro di Lima. A produção é da Balaio Produções Culturais. E a peça conta com o apoio do Sonhus Teatro Ritual e do Acervo Brevintage.

Teatro de Revista
De acordo com Sandro di Lima, o espetáculo Doce Deleite aborda a história do teatro, suas contradições, mas sobretudo ele é uma sátira sobre o que acontece atrás das cortinas, o universo dos bastidores, ao mesmo tempo que faz algumas picardias políticas, como era antigamente o Teatro de Revista. Constituído de quadros independentes, autônomos, que vão se alternando, a peça revela relações cômicas entre as personagens, mas evita os clichês machistas, homofóbicos ou racistas.

Sandro complementa dizendo: “As pessoas têm noção de comédia ainda muito vinculada à televisão, ou ao cinema, e ainda muito refém de certos clichês. A gente gostaria que o público percebesse que é possível fazer comédia sem cair na tentação do desrespeito às diferenças. O que faremos é uma comédia que não passa por esse caminho. Queremos que o público se divirta com situações do cotidiano e da vida do teatro a partir desse olhar”.

A montagem adotará como referência cênica o Teatro de Revista no Brasil, explorando seu tom popular e musicado, fortalecendo as paródias propostas no texto, com breves inserções de contextos e personagens públicos regionais. O teatro de revista tornou-se um gênero popular no Brasil a partir do final do século XIX, e pode ser caracterizado como um veículo de difusão de modos e costumes, como um retrato sociológico, ou como um estimulador de riso e alegria através de falas irônicas e de duplo sentido. A música é parte muito relevante desse tipo de trabalho, e a trilha sonora dessa montagem é composta a partir da tradicional jazz-band. A ela serão incorporados efeitos e vinhetas de rádio, televisão e cinema que tanto foram aliados dessa estética cênica e que estão em realce no texto de Alcione Araújo. Cenário e figurino completam essa exposição superdimensionada, necessária para incorporar o escracho até mesmo visualmente.

A comédia é a prova dos nove
Segundo o diretor Sandro di Lima, um Teatro de Revista não é um tipo de espetáculo que exija uma fruição mais sofisticada, mas é sim para todos os públicos, inclusive o mais exigente. Ele é para toda situação, e pode estar em vários espaços, não necessariamente só no palco italiano. Ele tem a flexibilidade necessária para atingir públicos plurais

Sandro ainda reflete: “Essa obra, que agora vai fazer parte de nossa trajetória, é de um autor (Alcione Araújo) que busca fazer uma reflexão debochada sobre o que é o teatro. Sob o ponto de vista do estilo, a comédia tem acrescentado muito na história da humanidade, em todos os momentos, fazendo uma leitura das relações sociais, dos momentos políticos, com bastante aprofundamento. O Teatro de Revista, no Brasil, tem um histórico extraordinário, e o que a gente pretende é fazer justiça a essa trajetória. Nós acabamos de sair de uma comédia mais rebuscada, que foi ‘A Lição’, de Eugène Ionesco, e agora é hora de compartilhar com público goiano uma comédia que as pessoas tenham tesão, vontade de ir ao teatro. E como dizia Oswald de Andrade: ‘o humor é a prova dos nove’.”

O Diretor
Sandro se considera um militante do mundo da cultura e da educação. Professor de teatro do Instituto Federal de Goiás desde quando era Escola Técnica, tem uma trajetória de mais de 30 anos. Foi um dos precursores da profissionalização do teatro em Goiânia, começando com o Grupo Canopus em 1979, e trabalhando com toda uma geração de atores. Foi diretor de inúmeros espetáculos, entre eles, 3X3 da Cia de Teatro Nu Escuro, A Visita da Velha Senhora, de Friedrich Dürrenmatt, e Seu Palácio Conta Histórias (Montado para o Palácio Conde dos Arcos, na cidade de Goiás). Entre 2000 e 2004 esteve à frente da de cultura de Goiânia e geriu a primeira edição do Goiânia em Cena. Também foi assessor especial da ANCINE. Hoje é Pró-Reitor de Extensão do IFG e recentemente dirigiu “A Mais Forte”, do sueco August Strindberg, com a Cia Dramática de Teatro Mulheres Em Cenas Fortes, e “A Lição” de Eugène Ionesco.

 

100 anos do Dadaísmo

Goiânia é declarada Sede Brasileira do Dadaísmo e recebe placa do Cabaret Voltaire, de Zurique

Capital goiana é a única cidade brasileira a integrar a agenda internacional do Dada 100th Anniversary.

De 24 de setembro a 01 de outubro de 2016 Goiânia será palco de dezenas de atividades que compõem o DADASpring, evento que celebra os 100 anos do Dadaísmo no mundo. A capital goiana é a única cidade brasileira a integrar a agenda internacional do DADA 100th Anniversary, organizado por iniciativa da Associação DADA100, que reúne o Cabaret Voltaire e outras instituições suíças. O projeto tem a realização do Grupo EmpreZa e da Balaio Produções Culturais, e conta com recursos do Fundo Estadual de Cultura e com a parceria do Cabaret Voltaire Zurique.

A programação prevê manifestos, exposições, serões performáticos, saraus, shows musicais, conferências, debates, mostras de cinema, oficinas, apresentações artísticas e festas. Toda programação é gratuita e ocupará diferentes espaços da capital: o Cabaret Voltaire Goiânia; Praça Universitária; Praça Cívica; Praça do Trabalhador; Feira do Cerrado; Bosque dos Buritis – Museu de Artes de Goiânia; Evóe Café com Livros; Espaços da Universidade Federal de Goiás (UFG), como a Galeria da Faculdade de Artes Visuais (FAV), a Escola de Músicas de Artes Cênicas (EMAC), o Centro Cultural da UFG e sua galeria, o Cine UFG, o auditório da Biblioteca da UFG e a Faculdade de Letras.

Entre personagens marcantes estarão em Goiânia, para o evento, Adrian Notz, diretor do Cabaret Voltaire Zurique, Zé Celso Martinez, do Teatro Oficina (SP), Bia Medeiros, coordenadora do Grupo de Pesquisa Corpos Informáticos (DF), Alex Hamburguer, artista visual e performático (RJ), Marta Soares (SP), premiada pesquisadora, dançarina e coreógrafa de obras performáticas, Wagner Barja (DF), artista plástico e poeta visual, com 30 anos de carreira, que sempre procurou desconstruir com humor e ironia o linear e o estabelecido.

 

DADA ON TOUR

Da Suíça chegará o projeto chamado DADA On Tour, que é trazido pelo próprio Adrian Notz, diretor do Cabaret Voltaire Zurique. Trata-se de uma tenda de lona e tecido, que circulará por espaços públicos e apresentará textos, vídeos e imagens representantes do Movimento Dadaísta original, e ainda performances de artistas convidados. Esta tenda já circulou por locais como Singapura, Hong Kong, Aarau e Rio de Janeiro. Adrian também participará de uma mesa-redonda e acompanhará toda a programação do DADA Spring.

 

Em 1916

A Primeira Grande Guerra estava em curso. A batalha ocupava um contexto de desenvolvimento tecnológico e armamentista. Nesse tempo surgia o avião. O cinema. O rádio. Paris era o centro do universo cultural e artístico. E a guerra transformou a forma de pensar e de agir de uma classe que costuma deixar marcas profundas na história: artistas e pensadores se exilaram e se transformaram em tradutores deste instante desvairado. Contra tudo que até ali havia sido motivo daquela guerra, surgem os dadaístas. Precursores do movimento mais incoerentemente salubre e sensato de uma época de apinhados conflitos morais e éticos. O refúgio para estes exilados desertores foi a inabalável Zurique, capital da Suíça. Críticos a toda crueza do ser humano, os dadaístas eram niilistas caóticos, loucos irreverentes, gênios indomáveis. Para anunciar o Cabaret Voltaire, uma chamada foi publicada nos jornais de Zurique, conclamando artistas à procura de um novo palco. Era fevereiro de 1916. Não havia um formato definido para nada. O DADA jamais se pretendeu como linguagem. Sua tratativa era como movimento. Inclusive um movimento de autodestruição. O ritual era sua essência. O resultado era ocasional. Quando as massas quiseram transforma-lo em objeto de consumo, dissipou-se. Acha-se que em 1922. Mas deixou descendentes: Surrealismo, Arte Conceitual/Arte concreta, Pop Art, Expressionismo Abstrato, todos são espécimes mais ou menos inquietas, que tiveram suas origens naquela revolta de nome simbolicamente infantil. O nome DADA não quis dizer nada. Parecia uma piada, uma irônia, uma libertação. Ainda assim, discursou sobre tudo, sem meias palavras (ou nenhuma palavra), e definiu novos rumos para o olhar ocidental.

 

Cabaret Voltaire Goiânia

Oficinas, festas, shows e saraus acontecerão no Cabaret Voltaire Goiânia. O espaço, sede do grupo EmpreZa, receberá de Adrian Notz a placa oficial do Cabaret Voltaire Zurique, sendo consagrado como sede oficial do Dadá no Brasil. Segundo os organizadores, ao ser apresentado ao nosso Cabaret, onde já se realizam sarais performáticos, e onde já se trabalha com a participação de artistas e públicos das mais diversas origens e linguagens, o suíço demonstrou o desejo de vincular as histórias desses dois lugares, deixando uma marca oficial do Dada no Brasil.

De acordo com Adrian Notz, a conexão do grupo Empreza com o movimento dadaísta não poderia ser melhor. “Pela constituição na forma de um coletivo de artistas, que atuam a partir da performance arte, happenings e ações de intervenção em espaços públicos, operando um imaginário provocativo e crítico às mais diversas questões da arte, cultura e sociedade, o Grupo EmpreZa traz consigo uma força ética, política e estética que os aproxima intimamente dos artistas e dos manifestos do movimento dadaísta”, comenta o diretor.

O Cabaret Voltaire Goiânia nasceu em 2002, durante o encontro promovido pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) junto à Universidade Federal de Goiás. Para o evento várias propostas de atrações artísticas foram recusadas. Foi então que Babidu, artista visual, membro integrante do Grupo EmpreZa, produtor cultural e arte-educador decidiu abrir a sua casa como um espaço paralelo de convivência, atraindo para ele as atividades culturais que não poderiam participar da programação oficial da SBPC.

 

Conexão Goiânia x Zurique

Fundado em 2001, inicialmente como grupo de estudo e pesquisa em performance arte, o Grupo EmpreZa (GE) possui hoje um vasto repertório de ações performáticas, happenings e produções audiovisuais e fotográficas. Este grupo parte de seu corpo-coletivo para pensar a performance, a arte e os lugares simbólicos em amplas dimensões. No ano de 2014, em uma das atuações na capital fluminense, o diretor do Cabaret Voltaire de Zurique, Adrian Nots, em turnê com sua tenda DadaOnTour também pelo Rio de Janeiro, soube da atuação do coletivo goiano, e do espaço que haviam criado no Centro-Oeste do Brasil.

A Balaio Produções Culturais entra então em cena, como parte estruturante do projeto. Sua relação com o Grupo EmpreZa começa em 2011, quando houve a segunda edição do evento que levava o nome do espaço Cabaret Voltaire Goiânia. Luana Otto, fundadora da produtora, fala dessa relação: “Para nossa produtora, realizar um evento cultural de importância temática mundial, delinear o conceito dadaísta, envolver grupos e artistas de reconhecimento internacional, e oferecer ao público uma programação cultural cosmopolita e universal, significa a transformação de nossa particular cosmosfera, criando novas redes, gerando novas conexões, tensionando a linha da amenidade, ainda que essa linha fosse pouco usual. Tudo isso reverbera em escala de emancipação. Uma maioridade equalizada com o mundo e disponibilizada aos profissionais, ao nosso mundo das artes, ao cenário cultural de nosso estado. É assim que enxergamos o DADASpring, e é por isso que ele passou a estar contido em nosso Balaio.”

Para Thiago Lemos, integrante do Grupo EmpreZa, esse encontro é fundamental para promover reflexão a partir da reunião de diferentes grupos. “Encontros na arte são sempre grandes mecanismos de criação, descobertas e experiências diferenciadas. A proposta do encontro é mostrar uma reflexão e a prática dessa aproximação, envolvendo artistas e realizadores de diferentes segmentos”, complementa.

 

Pela cidade

 Além de ocupar o Cabaret Voltaire e espaços na Universidade Federal de Goiás, o DADASPring estará nas ruas de Goiânia, ocupando as praças com a Tenda Dada On Tour. A proposta é que esse movimento artístico alcance todo o público, de forma a comovê-lo. “A arte tem aquilo que os antigos latinos chamavam de movere, que é a capacidade de nos mover. Se a arte move é porque é uma força, e as forças transformam. Neste caso, o movimento transformador ocorre, antes, no espírito, como comoção. A arte tem o poder de co-mover, de fazer com que os espíritos se comovam (movam-se juntos)”, explica Lemos.